NOVOS RUMOS PARA A AGRICULTURA NO VALE DO PARAÍBA-SP
Publicado em 07 de junho de 2021 
Artigo de Bruno Santoro
A região metropolitana do Vale do Paraíba, no Estado de São Paulo, historicamente, foi  uma das principais regiões produtoras de café para exportação no século XIX, e no século seguinte, a região se destacou, também, na pecuária destinada especialmente para a produção de leite. Entretanto, constantes transformações devido aos processos de industrialização iniciado em meados de 1950, geraram mudanças no cenário econômico, antes predominantemente agrícola.
Apesar da agricultura perder espaço na economia da região para a indústria e comércio, o Vale do Paraíba ainda é um dos principais produtores, do Estado de São Paulo, de carne bovina e leite, arroz, e destaca-se também nas atividades agroflorestais com o cultivo do eucalipto para papel e celulose sendo os dados do Instituto De Economia Agrícola, órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento.
O fato é que a agropecuária na economia brasileira tem extrema importância e é crescente, e na região do Vale do Paraíba não é diferente. O agronegócio tem se tornado o maior empreendimento do Brasil, fazendo parte do modelo de desenvolvimento e participando do núcleo da política econômica.
A população mundial está aumentando e as estimativas para os próximos anos é um aumento de 33%, atingindo 10 bilhões de pessoas no planeta em 2050, o que obrigará um aceleração para a produção de alimentos, com acréscimo de 50% em relação à produção agrícola atual.
Para este novo cenário do agronegócio faz-se necessário o emprego de um novo modelo tecnológico, conhecido como Agricultura 4.0, termo adotado no Brasil pela Embrapa, e conhecido também como Fazenda Digital e Fazenda Inteligente.
Diante destas condições surgem então as startups do agronegócio, denominadas por: Agrotechs, Agtechs, ou ainda Agritechs, empreendimentos estes que inovam desde desde a genética de plantas até os varejistas, percorrendo toda a cadeia da atividade agrícola.
Quanto as áreas de atuação das Agritechs, temos, segundo as classificações no Censo AgTech Startups Brasil (StartAgro, 2020), as seguintes atividades: suporte à decisão (34,5%), IoT e hardware (31%), agricultura de precisão (27,6%), e-commerce (24,1%), drones e robótica (13,8%), comércio de insumos (13,8%), saúde e nutrição animal (10,3%) e pecuária de precisão (6,8%). Estas statups podem se organizar e trabalhar em ambientes de inovação conhecidos como Hub.
Os ambientes conhecidos como hubs são espaços onde se conectam empresas nascentes de base tecnológica (startups) com os demais atores do ecossistema, tais como: governo, empresas, investidores, e que apresentam alto potencial de crescimento e escala. Assim, observa-se que, atualmente, é importante criar e estabelecer centros de excelência em tecnologia para startups do agronegócios.
Outro enfoque que ganha destaque nos hubs é a de inovação sustentável aberta, sendo de extrema importância na redução de custos, bem como para amenizar o impacto da empresa sobre o meio ambiente e segurança alimentar, com aumento da produtividade e rentabilidade.
De certo modo, a inovação deverá estar presente em todas as empresas, independente do porte e do segmento. Entretanto, mesmo  com  a  crescente importância sobre o assunto,  a pesquisa científica  com agritechs ainda  não  apresenta  sinais  de  impacto  no  meio  científico.
Produtores rurais têm demandado cada mais por assistência técnica com o objetivo de atingir altos níveis de produtividade e rentabilidade em suas propriedades rurais e consumidores tem se tornado cada mais exigentes quanto ao consumo de alimentos saudáveis de alta qualidade.
As condições edafoclimáticas da região metropolitana do Vale do Paraíba e o histórico de sucesso do agronegócio na região mostram um potencial para a retomada do crescimento da economia agrícola. A região conta com um complexo rodoviário de alta qualidade, tendo como principal a BR-116 (Rodovia Presidente Dutra), o que facilita o escoamento da produção com melhor logística em direção aos grandes centros consumidores e conta, ainda, com recursos humanos na área tecnológica e de agricultura que advém de universidades e institutos de pesquisa.  
Assim, podemos observar a importância em investir na pesquisa, desenvolvimento tecnológico e gestão de agritechs para promover ambientes geradores da inovação aberta que promovam o desenvolvimento da economia da região.
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